Padre Lázaro diz que sacrifício de animais em rituais deve ser compreendido com respeito

Uma discussão sobre o sacrifício de animais em rituais religiosos foi tema do Jornal da Bahia no Ar, nesta quinta-feira (23), após uma pergunta enviada por uma ouvinte. Ao responder ao questionamento, o padre Lázaro Muniz defendeu o respeito às diferentes tradições religiosas e afirmou que o assunto já está consolidado no campo da liberdade de culto.

O sacerdote destacou que é importante compreender a diferença entre apoiar uma religião e respeitar seus praticantes. “Não existe igreja do candomblé. Existe igreja que respeita os irmãos e irmãs do candomblé, e isso é muito importante”, afirmou.

Sobre o uso de animais em cerimônias religiosas, padre Lázaro questionou por que esse tipo de prática costuma gerar críticas enquanto outras formas de utilização dos animais são amplamente aceitas pela sociedade. “Se não é certo sacrificar um animal para um culto religioso, por que sacrificamos para alimentação, para tirar o couro e fazer sapatos e bolsas? Usamos os animais para tantas outras coisas e isso quase nunca é questionado”, disse.

Segundo ele, o sacrifício possui um significado espiritual para diversas religiões e deve ser entendido dentro desse contexto. O padre lembrou que o judaísmo realizava esse tipo de prática e que a própria história da Igreja Católica também passou por esse processo antes de mudanças ao longo do tempo. “Muitas religiões ainda fazem, mas com muito respeito. No candomblé e em outras tradições, o sacrifício representa oferecer a Deus aquilo que foi recebido Dele. Assim como oferecemos o dízimo e, no judaísmo, eram oferecidos dons, eu não sou contra”, concluiu.

Confira entrevista na íntegra: