Os músicos Tenilson Del Rey, Jorge Zarath e Tonho Matéria defenderam o uso da inteligência artificial como ferramenta de apoio à produção musical, mas destacaram que a tecnologia não deve substituir a criatividade e a sensibilidade dos compositores. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Revele na Rádio Metropole.
Tenilson Del Rey contou que já utiliza recursos de IA desde 2017 em um estúdio de produção fonográfica e publicitária do qual é sócio, em São Paulo. Segundo ele, a tecnologia ajuda a acelerar processos, principalmente no mercado publicitário, mas o resultado final continua dependendo da produção humana. “O mercado exige velocidade. A IA ajuda nessa primeira etapa, mas depois a gente vai para a produção real”, afirmou.
O músico também alertou para a necessidade de cuidado com questões relacionadas à autoria. Para ele, os sistemas de inteligência artificial são alimentados por um grande volume de informações disponibilizadas pelos próprios usuários, o que pode gerar dúvidas sobre a originalidade de melodias e letras.
Jorge Zarath afirmou que vem estudando o tema nos últimos meses para compreender melhor os impactos da tecnologia na música. Apesar de reconhecer o potencial da IA, disse que pretende manter o processo criativo baseado na própria inspiração. “Eu decidi que só vou fazer qualquer coisa a partir do meu coração e da minha palavra final”, declarou.
Durante a conversa, Tonho Matéria relatou uma experiência em que uma composição sua foi inserida em uma plataforma de inteligência artificial. Segundo ele, a ferramenta devolveu a música com arranjo completo e uma interpretação semelhante à sua voz, além de disponibilizar os instrumentos separados para edição.
Para os artistas, a inteligência artificial pode ser uma aliada no acabamento e na produção das músicas, mas não substitui a criação humana. Eles defenderam que a tecnologia deve servir para potencializar ideias já desenvolvidas pelos compositores, preservando a identidade e a autoria de cada obra.
Confira a entrevista na íntegra:

