A inteligência artificial deve transformar cada vez mais a prática médica, mas não pode substituir a relação entre médico e paciente. Esse foi o consenso entre os médicos Rosa Garcia, Maurício Nunes, Francisco Hora e Otávio Mesquita Messenger durante participação simultânea no Jornal da Metropole no Ar, nesta segunda-feira (13).
Apesar de destacarem os avanços proporcionados pela tecnologia, os quatro profissionais defenderam que a humanização do atendimento permanece como elemento central da medicina.
Tecnologia como aliada, não substituta
A psiquiatra Rosa Garcia afirmou não ser contrária ao uso da inteligência artificial, desde que ela seja utilizada para auxiliar o trabalho médico. “Se ela vem para ajudar, tudo bem. Agora, depende de como nós vamos manipular. Tem que ter cuidado”, afirmou. Ela ressaltou ainda que dedicou a carreira a defender a importância da relação entre médico e paciente.
Na mesma linha, o cardiologista Maurício Nunes disse apoiar a evolução tecnológica, mas alertou para a necessidade de preservar o lado humano da profissão. “Eu não sou nada contra a hi-tech, a evolução de tudo. Mas falta humanidade. Falta o médico chegar junto do paciente e continuar sendo a pessoa que ele sempre foi”, declarou.
IA deve revolucionar diagnósticos
O médico Francisco Hora classificou a inteligência artificial como um “avanço extraordinário” e afirmou que a tecnologia terá papel predominante em áreas como exames de imagem e análises histopatológicas, facilitando diagnósticos que antes exigiam procedimentos mais complexos.
Ao mesmo tempo, ele alertou que a tecnologia tem contribuído para o distanciamento entre médicos e pacientes.
Segundo Hora, muitas pessoas já chegam ao consultório após consultar ferramentas de IA, mas continuam procurando o médico porque a relação vai além da definição de um diagnóstico. “A relação médico-paciente transcende a tudo isso. Ela é humana. Nada substitui o olhar do médico”, afirmou.
O médico também criticou atendimentos excessivamente voltados para o computador, relatando uma experiência pessoal em que foi consultado sem sequer receber contato visual do profissional.
IA amplia acesso à informação
Octávio Messender afirmou utilizar a inteligência artificial com frequência e definiu a ferramenta como um grande banco de dados capaz de auxiliar o médico, desde que seja usada de forma adequada.
Para ele, o principal benefício da tecnologia é facilitar o acesso a informações científicas e dados que antes exigiam consultas a livros e revistas especializadas. O médico, porém, fez uma ressalva sobre os limites da ferramenta.
“Um ser humano vai precisar de outro ser humano, não de uma máquina”, afirmou. Segundo Messender, a conversa entre médico e paciente continua sendo a principal fonte para a construção do diagnóstico e não pode ser substituída por algoritmos.
Confira entrevista na íntegra:

