EUA sancionam dois brasileiros e três empresas por suposta ligação com o PCC

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1º), sanções econômicas contra dois brasileiros e três empresas por suposta ligação com um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida foi formalizada pelo Departamento do Tesouro e é a primeira desde que o governo de Donald Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.

Os brasileiros sancionados são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Também foram incluídas na lista as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda e  Wave Construções Inteligentes Ltda.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos afirmou, em comunicado, que o PCC é a “maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental” e alegou que a facção representa uma “ameaça significativa à segurança nacional” do país.

Investigação

Segundo o Departamento do Tesouro, Shimada atuava como elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais de drogas. As autoridades americanas afirmam que ele teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, utilizando criptomoedas para enviar os valores ao Brasil em benefício da facção.

Já Stella Stefanie é apontada como responsável pelo suporte logístico da operação, atuando na coleta de grandes quantias em dinheiro e no apoio às atividades financeiras do grupo.

De acordo com o governo dos EUA, os investigados integrariam uma rede internacional de lavagem de dinheiro do PCC com atuação na Flórida. Em janeiro deste ano, seis suspeitos de fazer parte do mesmo esquema foram presos no estado.

O comunicado também cita que Shimada foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, em 2025, por lavagem de dinheiro no caso envolvendo a antiga patrocinadora do Corinthians, a VaideBet. Segundo o Departamento do Tesouro, a empresa Victory Trading teria sido utilizada para lavar recursos desviados de um clube de futebol brasileiro, sem citar o nome da equipe.

As sanções determinam o bloqueio de bens e interesses dos alvos sob jurisdição dos Estados Unidos e proíbem cidadãos e empresas americanas de manter relações comerciais com as pessoas e empresas incluídas na lista, salvo autorização do governo norte-americano.