Janio de Freitas diz que caso do Digimais, de Edir Macedo, expõe omissão do Banco Central

As suspeitas de fraude bilionária no Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, e as falhas na atuação fiscalizatória do Banco Central foram analisadas pelo jornalista Janio de Freitas durante participação no programa Três Pontos nesta sexta-feira (26). Ao comentar seu artigo “Fila da Corrupção” publicado no Poder360, o colunista afirmou que o caso é o que mais o impressiona entre os episódios recentes de corrupção por revelar, segundo sua avaliação, um esquema que teria permanecido por anos sem ser identificado pelos órgãos responsáveis pela supervisão do sistema financeiro.

“É inacreditável, são bilhões e bilhões até agora, a coisa estimada em 8 bilhões de desvio. Nem é propriamente desvio, é de truque para enganar o mercado financeiro, para enganar os compradores de títulos desse banco e para enganar o Tesouro Nacional, a Receita Federal, o governo, as chamadas autoridades”, disse.

A análise ocorre após a deflagração da Operação Miragem, da Polícia Federal, que apura suspeitas de manipulação de demonstrativos contábeis para ocultar a situação financeira do Digimais. Janio afirmou que os recursos da instituição eram inflados contabilmente para aparentar uma solidez inexistente e sustentar ofertas de investimentos mais vantajosas, enquanto o Banco Central não identificava as irregularidades ao longo de anos.

“Eles, se tinham, por exemplo, uma nova parte de patrimônio por compra, por viação, por o que fosse, no valor de 71 milhões de reais, por exemplo, eles contabilizavam com 700 milhões e não sei mais quanto. Então ficavam com um enorme cofre hipotético, verdadeiramente hipotético, para justificar as grandes vantagens que ofereciam aos compradores de títulos de investimento na empresa do bispo banqueiro Edir Macedo”, explicou.

Na avaliação do jornalista, o episódio evidencia uma grave deficiência na fiscalização do sistema financeiro. Janio afirmou que a fraude investigada teve início em 2023 e se estendeu até agora sem ser interrompida, acrescentando que, enquanto o Banco Central concentra esforços no combate à inflação por meio da elevação dos juros, deixa de agir com a mesma eficiência diante de práticas que classificou como fraude, trapaça e roubo.

Confira a programa na íntegra: