Em uma conversa no programa Bem na Hora, com James Martins, nesta sexta-feira (26), dia em que completa 84 anos, Gilberto Gil falou sobre cultura, identidade, envelhecimento e mudanças no debate público.
O cantor e compositor comentou a forma como percebe a chegada da idade e disse que a experiência é diferente do que imaginava ao longo da vida. “Bastante, bastante. Que é diferente do que normalmente a gente espera que seja”, afirmou. Ele acrescentou que o avanço da idade impõe uma adaptação. “O tempo ter se instalado naquela medida… no meu caso, aos 80 e poucos, eu tenho que me virar para me adaptar”, disse.
Gil também falou sobre sua relação com os palcos e explicou que a atual fase da carreira reflete esse novo momento. Ao citar a turnê Tempo Rei, afirmou que se trata de uma mudança no ritmo de apresentações. “Quando eu digo assim, é a última turnê que eu faço nessa intensidade, nessa abrangência, é porque a idade exige, é diferente”, disse. Segundo ele, a decisão está ligada ao próprio envelhecimento e às limitações que ele impõe.
Ao longo da conversa, o artista ainda refletiu sobre a passagem do tempo e o contraste entre expectativas antigas e a realidade atual, destacando que a idade transforma a forma de viver e trabalhar.
Em outro momento, Gil também tratou de cultura e identidade ao comentar mudanças no debate público. Para ele, houve um deslocamento de pautas ligadas à luta social para discussões mais voltadas a costumes e modos de vida. “Essa manifestação ficou excessiva, na verdade, para substituir o campo da luta social, econômico e social”, disse.
Ele acrescentou que temas políticos e econômicos passaram a dividir espaço com questões relacionadas à diversidade e comportamentos sociais. “Economia e política propriamente substituídos por hábitos, costumes, diversidade”, afirmou. Ao comentar o tema, ponderou que essas mudanças fazem parte de um processo histórico mais amplo. “Não sei se chega a ser excessivo, mas acho que há uma atenção muito grande dada a isso”, disse.
Confira na íntegra:

