Os diferentes critérios adotados em investigações envolvendo personagens da política nacional foram alvo de análise do jornalista Bob Fernandes durante participação no programa Três Pontos, nesta sexta-feira (26). Ao comentar o vídeo em que Michelle Bolsonaro expõe o conflito com Flávio Bolsonaro, as citações à empresária Letícia Caetano na CPI do INSS e as apurações relacionadas ao filme Dark Horse, o jornalista afirmou que a condução de alguns casos levanta dúvidas sobre o momento e a forma como determinadas investigações avançam.
“Por exemplo, na CPI, aparece o nome do Lulinha, aparece também o nome de Letícia Caetano dos Reis, irmã de Alexandre Caetano dos Reis, que a Polícia Federal identifica como sócio de uma offshore do Careca do INSS. Só que ela foi investigada? Não. Por quê? Ela é a sócia administradora do escritório do Flávio Bolsonaro”, declarou.
Segundo Bob Fernandes, a sucessão presidencial tende a ser marcada cada vez mais pela divulgação de investigações e por questionamentos sobre a adoção de medidas judiciais em casos distintos. O jornalista citou, entre os exemplos, a investigação envolvendo recursos destinados ao filme Dark Horse, além da repercussão do vídeo publicado por Michelle Bolsonaro criticando Flávio Bolsonaro, defendendo que o eleitor acompanhe esses episódios dentro de um contexto mais amplo, sem desconsiderar a necessidade de apuração dos fatos.
“Por que um assunto como esse houve busca e apreensão e por que outros assuntos que estão postos há muito tempo não têm busca e apreensão e não têm sequer seguimento? Isso é pra quê? Pra ser usado na hora H, pra não ser usado na hora H? É preciso que o eleitor e o cidadão saibam disso pra botar isso dentro de um contexto maior”, disse.
Na avaliação de Bob Fernandes, não cabe antecipar conclusões sobre as investigações, mas cobrar critérios uniformes na atuação das autoridades. Ao mencionar o caso do filme Dark Horse, afirmou que “o cidadão que recebeu, negociou, do dono do Banco Master, o cidadão Vorcaro, 134 milhões para fazer um filme” também deveria ter a condução da apuração esclarecida. “Por que que nesse caso não há busca e apreensão?”, questionou. Para o jornalista, “alguém tem que dizer, tecnicamente, não houve por isso ou por aquilo”, pois, do contrário, “isso provoca anomia nas pessoas, paralisia”, afastando o cidadão do debate público.
Confira o programa na íntegra:

