A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) avaliaram como “responsável e prudente” a decisão do governo brasileiro de suspender temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue Butantan-DV. Em nota enviada à TV Globo, as entidades afirmaram que a medida está alinhada aos procedimentos de segurança adotados quando novos imunizantes começam a ser utilizados em larga escala.
Segundo a OMS, a interrupção temporária permite ampliar a coleta de informações e contribui para preservar a confiança da população no programa de vacinação. “Essas ações ajudam a proteger a saúde e a confiança pública enquanto mais informações são coletadas”, afirmou a entidade.
As organizações informaram ainda que acompanham a situação de perto e mantêm contato com o Ministério da Saúde e com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Investigação dos casos
A OMS e a OPAS ressaltaram que notificações de eventos adversos graves após a vacinação são tratadas com máxima atenção. As entidades lamentaram as mortes registradas e prestaram solidariedade às famílias das vítimas, mas destacaram que os episódios relatados parecem ser raros e ainda dependem de investigação para que seja estabelecida uma possível relação com a vacina.
Na avaliação dos organismos internacionais, o sistema brasileiro de farmacovigilância tem funcionado adequadamente ao identificar os casos e iniciar a apuração necessária. A OMS afirmou que atua em conjunto com fabricantes, autoridades sanitárias e especialistas para monitorar continuamente a segurança dos imunizantes.
A Butantan-DV foi desenvolvida pelo Instituto Butantan e, até o momento, possui autorização de uso apenas no Brasil. A OMS informou que a vacina ainda não passou pela análise do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (SAGE), responsável por elaborar recomendações globais sobre vacinas.
As entidades também reforçaram que a imunização deve ser acompanhada de outras estratégias de combate à dengue, como a eliminação de criadouros do mosquito, medidas de proteção individual, diagnóstico precoce e atendimento adequado aos pacientes.

