Documentos apontam papel da Gerdau na contaminação em São Tomé de Paripe

Documentos encaminhados em 2021 ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) pela Gerdau apontam que a própria empresa tinha conhecimento prévio de contaminações antigas da praia de São Tomé de Paripe, geradas a partir da operação exclusiva da companhia no Terminal Marítimo de Granéis (TMG). O material, de acordo com processos administrativos aos quais o Metro1 teve acesso, já havia sido analisado tanto pelo órgão ambiental quanto pela promotoria especializada em meio ambiente em Salvador.

Segundo informações obtidas junto a pessoas que acompanham o caso, a Terminal Itapuã teria assumido a operação  do TMG acreditando que todas as intervenções ambientais necessárias para sanar a contaminação já tinham sido executadas. No entanto, o problema voltou a aparecer nos últimos meses.

A contaminação da praia de São Tomé de Paripe, a mais frequentada do Subúrbio de Salvador,  segue sem solução definitiva após três meses do surgimento de manchas azuis e amarelas na faixa de areia e da morte de animais marinhos na região. Enquanto moradores, pescadores, marisqueiras e comerciantes acumulam prejuízos, cresce a pressão para que os órgãos ambientais apontem oficialmente os responsáveis e determinem medidas de reparação ambiental e indenização às famílias afetadas.

Desde março, quando o problema ganhou repercussão pública, o Inema e outros órgãos ambientais vêm realizando análises e investigações para identificar a origem da contaminação. Laudos já divulgados apontaram a presença de cobre em amostras coletadas na praia e também em organismos de animais encontrados mortos na região.

As suspeitas recaem sobre o terminal localizado em frente à praia, área que até 2022 era operada pela Gerdau, empresa que trabalhava com minério de cobre no local. Atualmente, a operação é realizada pela Terminal Itapuã, que atua no setor de fertilizantes.

Estudos prévios indicam contaminação antiga
Outro fator que chama atenção é o fato de o terminal atualmente não operar com cobre, justamente o elemento identificado nas análises feitas na praia e em animais marinhos da região. Técnicos que acompanham o caso trabalham com a hipótese de que resíduos antigos teriam permanecido no subsolo e sido carregados pelo lençol freático até a faixa de areia em frente ao terminal.

Mesmo após a interrupção das atividades da empresa que opera o terminal — determinada pelo Inema ainda em março — moradores afirmam que novos registros de contaminação continuam sendo observados na praia. Também chama atenção a situação patrimonial da área. 

Embora operado por outra empresa, o terminal continuaria pertencendo à Gerdau, segundo documentos consultados por pessoas envolvidas nas investigações. A companhia, entretanto, divulgou recentemente nota negando responsabilidade pela contaminação.

Laudo desmonta justificativas da Gerdau   
No comunicado, a empresa afirmou que vendeu o terminal para a Intermarítima e declarou não haver comprovação de contaminação por cobre na área. As informações, porém, divergem de laudos ambientais já divulgados e de documentos anteriormente encaminhados ao Inema pela própria companhia.

Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apontou a presença de altas concentrações de cobre em mariscos encontrados mortos na região.

Moradores e trabalhadores da comunidade cobram rapidez na conclusão das investigações e exigem providências urgentes para recuperação ambiental da praia, além de apoio financeiro às famílias que dependem diretamente da pesca, da mariscagem e do comércio local.

Enquanto o impasse continua, a praia de São Tomé de Paripe permanece praticamente vazia, afetando a economia local e impedindo o uso pleno de uma das áreas mais tradicionais da orla de Salvador.