A Biomm, farmacêutica que tinha como principal sócio um fundo ligado ao Banco Master, acumula atraso na entrega de mais de 1,57 milhão de doses de insulina ao SUS e foi notificada pelo Ministério da Saúde para prestar esclarecimentos. A pendência representa cerca de 19,6% do total previsto em contrato firmado no ano passado. As informações foram divulgadas pela coluna de Tácio Lorran no Metrópoles
Em nota, a pasta afirmou que não há falta de insulina no SUS. Já a farmacêutica atribuiu a situação aos conflitos na região do Golfo e às restrições internacionais no fornecimento do produto em escala mundial.
O contrato foi firmado entre o Ministério da Saúde e a Fundação Ezequiel Dias, mas a produção da insulina é realizada pela Biomm em parceria com o laboratório indiano Wockhardt, dentro de uma Parceria para Desenvolvimento Produtivo aprovada em 2017.
Durante a execução do acordo, a Biomm passou por mudanças societárias após a liquidação do fundo Cartago FIA, controlado pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro. As ações, que representavam quase 26% do capital social da farmacêutica, chegaram a ser transferidas ao Banco de Brasília e posteriormente vendidas para a Alaska Asset Management.
Dados do governo federal apontam que já foram emitidas notas fiscais de R$ 114 milhões referentes às entregas realizadas, enquanto o valor total do contrato é de R$ 142,1 milhões para o fornecimento de mais de 8 milhões de doses. O fornecimento de insulina ao SUS tem sido tratado como tema sensível pelo governo federal, que vem recorrendo a contratos emergenciais com laboratórios chineses para evitar desabastecimento na rede pública.

