O cartão de crédito segue como o principal responsável pelos casos de inadimplência no Brasil e, segundo Lucas Tosati, especialista em Educação Financeira do Serasa, o problema está mais ligado aos hábitos de consumo do que ao uso do cartão em si. Em entrevista ao Metropole Mais nesta quarta-feira (20), ele afirmou que muitas pessoas acabam utilizando o limite como complemento da renda mensal, principalmente para despesas recorrentes, como compras de supermercado, o que provoca um efeito acumulativo de parcelas ao longo dos meses. “Chega um momento em que a pessoa está pagando duas, três ou quatro compras antigas ao mesmo tempo dentro da mesma fatura”, explicou.
O especialista diz que o cartão foi pensado para facilitar compras maiores e planejadas, como eletrodomésticos ou móveis, que podem ser parcelados ao longo do tempo sem comprometer imediatamente a renda. O problema, segundo ele, começa quando despesas básicas do dia a dia passam a ser parceladas constantemente. “O cartão acaba virando uma extensão do salário e isso gera uma bola de neve muito difícil de controlar”, disse.
Para tentar reduzir esse endividamento, o programa Desenrola 2.0, do governo federal, permite que consumidores renegociem dívidas bancárias com juros menores. A iniciativa reúne diferentes débitos da mesma instituição financeira, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, em um único acordo, facilitando o pagamento e diminuindo os encargos cobrados pelos bancos.
Segundo Tosati, a redução dos juros acontece porque o programa conta com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que cobre até 50% do valor renegociado em caso de inadimplência. O Desenrola contempla dívidas bancárias sem garantia vencidas até 31 de janeiro de 2026, com limite de até R$ 15 mil, além de critérios de renda definidos pelo programa. Entre os débitos incluídos estão cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal, crédito rural e contratos do Fies.
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