O policial aposentado Marilson Roseno da Silva, de 56 anos, foi transferido nesta sexta-feira (15) para a Penitenciária Federal de Brasília após ser preso em mais uma fase da operação envolvendo o Banco Master. A transferência foi autorizada pela Justiça na quinta-feira (14), mesmo dia em que ele foi detido pela Polícia Federal.
Segundo as investigações, Marilson fazia parte do núcleo conhecido como “A Turma”, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. A PF afirma que ele atuava como um dos principais operadores do grupo, utilizando experiência e contatos da carreira policial para obter informações sensíveis e monitorar alvos.
A nova fase da operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos, organização criminosa e violação de sigilo funcional.
Entre os alvos da operação também está Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro. Ele deve ser encaminhado ao Centro de Remanejamento Gameleira, em Minas Gerais, após audiência de custódia. Outro investigado que permanecerá preso no estado é Rodrigo Pimenta Franco, apontado como hacker ligado ao grupo.
Na decisão, André Mendonça reproduziu mensagens atribuídas a Henrique Vorcaro e Marilson Roseno. Segundo a PF, os diálogos indicam que Henrique “permaneceu solicitando serviços ilícitos e providenciando recursos para a manutenção do grupo”.
Em uma das conversas citadas, Marilson cobra pagamentos e afirma estar “segurando uma manada de búfalo”. Henrique responde que receberia recursos “na quinta ou sexta-feira” e enviaria “imediatamente” “400”. Segundo a decisão, Marilson rebate dizendo que o ideal seria “800k”.
Outro trecho mencionado pelo ministro trata da suposta divisão mensal de valores entre integrantes da estrutura investigada. “Ele manda o mensal e eu divido entre a turma. Mando pra eles. 400 divido entre 6. Os meninos mando 75 pra cada, o meu. O DCM e mais dois editores. É este o mensal. Ele manda 1 e quando você manda bônus eu divido entre os meninos e a turma”, diz a mensagem atribuída ao policial aposentado.
Para André Mendonça, os diálogos “evidenciam uma relação estável de troca: Henrique financiava o grupo e, em contrapartida, utilizava-se de seus serviços ilícitos”.
A decisão também aponta que as conversas entre Henrique e Marilson teriam sido apagadas do celular do policial aposentado. A PF afirma ainda ter identificado trocas frequentes de números telefônicos e o uso de uma linha estrangeira registrada na Colômbia.

