O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, deve entregar em junho os anexos de sua delação premiada no âmbito da investigação que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master. As negociações são conduzidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) com participação da Polícia Federal (PF).
Segundo pessoas ligadas às tratativas, o acordo de confidencialidade que antecede a colaboração deve ser firmado nos próximos dias. A expectativa é que as informações sejam apresentadas oficialmente ainda em meados de junho.
A investigação aponta para um suposto esquema de fabricação e negociação de carteiras de crédito fictícias entre o Banco Master e o BRB. Os investigadores também apuram uma operação financeira estimada em R$ 12,2 bilhões que teria sido realizada para tentar minimizar fiscalizações do Banco Central.
A PF espera que Paulo Henrique Costa apresente detalhes sobre o fluxo de recursos dentro e fora do país, além de informações envolvendo autoridades ligadas ao caso e às negociações de compra do Banco Master pelo BRB.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, também é citado nas apurações e, segundo investigadores, pode apresentar novas informações para colaborar com o avanço do inquérito.
Após iniciar conversas sobre o acordo de colaboração, Paulo Henrique foi transferido da Papuda para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, unidade destinada à custódia de autoridades e militares.
Antes da prisão, ele vinha reunindo documentos e organizando mensagens armazenadas em seu celular para auxiliar os investigadores. Entre os conteúdos analisados estariam conversas com representantes do Banco Central, Daniel Vorcaro e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.
As informações apresentadas pelo ex-presidente do BRB ainda passarão por análise e verificação da Polícia Federal antes de uma eventual homologação do acordo de delação.

