O ex-secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, afirmou em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar nesta quarta-feira (13) que um dos principais legados deixados durante os nove anos em que esteve à frente da pasta foi a modernização da gestão da segurança pública no estado. Segundo ele, a secretaria passou a adotar métodos de análise estatística, monitoramento de dados e planejamento estratégico, áreas que, de acordo com o ex-gestor, eram pouco desenvolvidas anteriormente.
“Um dos maiores legados deixados foi uma transformação na parte de gestão, na parte gerencial. Diferente de outras áreas, a segurança pública era completamente ausente de dados estatísticos, de relatórios e análises. Começamos a melhorar os nossos dados de segurança, ter reuniões constantes e intensificar o apoio das regiões que precisavam de um suporte maior”, declarou.
Maurício Barbosa também destacou a criação do Sistema Integrado de Inteligência e Operações, apontado por ele como referência nacional. O ex-secretário afirmou que o centro de operações implantado na Bahia se tornou modelo para outros estados e ganhou reconhecimento internacional, especialmente após a implementação do sistema de reconhecimento facial.
“Nós implantamos o Sistema Integrado de Inteligência e Operações, que virou referência nacional, o maior centro de operações da América Latina. Equipes vêm visitar. O sistema de reconhecimento facial foi implantado de forma experimental na Micareta de Feira de Santana e, na primeira utilização, foram 33 presos. Isso virou um case de sucesso internacional e nos levou até a China”, afirmou.
Durante a entrevista, Maurício Barbosa também comentou o processo que resultou em sua saída da Secretaria de Segurança Pública. Ele classificou o episódio como traumático e relembrou a operação policial realizada no contexto das investigações da Operação Faroeste.
“Foi um episódio bastante traumático. Não coleciono inimigos, mas não desejo isso para ninguém. Você se dedicar a vida inteira integralmente ao trabalho e acordar num determinado dia com uma operação policial por aquelas pessoas que você já conhecia, mas que estavam aqui para cumprir uma ordem judicial”, disse.
Segundo o ex-secretário, já existia a percepção de que as investigações poderiam atingir integrantes do Poder Executivo estadual. Barbosa afirmou que houve uma tentativa de relacionar a Secretaria de Segurança Pública ao esquema investigado pela Operação Faroeste, que apurava venda de sentenças judiciais envolvendo disputas fundiárias no oeste baiano.
“Quem estava à frente dessa investigação tentava puxar a todo custo isso, como se a Secretaria de Segurança Pública estivesse em algum momento tentando blindar esses magistrados. Uma construção completamente absurda. Aconteceu da busca e apreensão chegar, a questão do afastamento. Acreditávamos desde o início na nossa inocência”, declarou.
Confira a entrevista na íntegra:

