O historiador e pesquisador Maycon Dougllas afirmou, em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar nesta segunda-feira (4), que a trajetória de Getúlio Vargas ajuda a explicar práticas políticas que ainda se repetem no país. Segundo ele, um dos aspectos mais intrigantes é a permanência de Vargas no poder ao longo de diferentes contextos históricos.
De acordo com o pesquisador, a imagem de força construída em torno do ex-presidente nem sempre corresponde ao que ocorria nos bastidores. “Sempre é intrigante para mim o fato do Getúlio Vargas ter ficado tanto tempo no poder, depois ter se tornado um ditador e ter voltado como presidente eleito democraticamente demonstrando esse apoio popular que ele tinha construído”, afirmou.
Maycon Dougllas destacou que, apesar da percepção pública de liderança consolidada, a sustentação política de Vargas dependia de articulações frágeis. “Para o povo e para a imprensa, o Vargas se colocava como esse candidato inevitável. No entanto, quando olhamos os bastidores vemos várias alianças muito frágeis, muito instáveis e que só foi possível a própria vitória ali em 1950 por conta dessas alianças improváveis”, disse.
Na avaliação do historiador, esse modelo contribuiu para as dificuldades enfrentadas no segundo governo. “É aí que provavelmente o fracasso do segundo governo vem desse governo de coalizão”, pontuou, ao relacionar a instabilidade política com os arranjos necessários para manter a governabilidade.
O pesquisador também associou esse tipo de articulação ao cenário atual da política brasileira. “Essa política de coalizão, acredito que foi inaugurada por Getúlio Vargas. É só a gente observar o que acontece nos nossos atuais tempos e de como o Luiz Inácio Lula da Silva precisa praticamente entregar vários ministérios e distribuir poderes para diferentes setores para conseguir governar”, afirmou.
Confira entrevista na íntegra:

