Entidades denunciam “golpe contra a democracia” após decisão da Suprema Corte dos EUA

Entidades do movimento negro e de direitos civis nos Estados Unidos criticaram a decisão da Suprema Corte que derrubou o mapa eleitoral do estado da Louisiana. Por seis votos a três, a Corte entendeu que o desenho dos distritos considerava excessivamente critérios raciais, o que deve levar à alteração de dois distritos de maioria negra e pode mudar a composição política local.

O presidente da NAACP, Derrick Johnson, afirmou que a decisão representa um “golpe devastador” à Lei dos Direitos de Voto e acusou a Corte de trair eleitores negros e a democracia. Na mesma linha, o reverendo Al Sharpton disse que a medida “desmantela” avanços históricos conquistados pelo movimento por direitos civis.

Após a decisão, o governador da Louisiana, Jeff Landry, cancelou as primárias previstas para maio para revisar os mapas eleitorais. Analistas apontam que a mudança pode favorecer o Partido Republicano e o presidente Donald Trump, que celebrou a decisão e incentivou alterações semelhantes em outros estados.

A decisão também intensifica o debate sobre o chamado “gerrymandering”, prática de redesenhar distritos eleitorais para favorecer partidos. Democratas prometem reagir para evitar perda de representação, enquanto organizações como a ACLU classificaram a decisão como “vergonhosa” e alertaram para riscos de novas restrições ao direito ao voto.