Mário e Marcelo Kertész comentam influência paulista na nova forma de falar dos baianos

A substituição de apelidos tradicionais por versões abreviadas e padronizadas, somada à crescente influência de hábitos linguísticos paulistas na fala baiana, foi um dos temas abordados no Conversas Inúteis sobre o que Ninguém Pediu desta sexta-feira (24). Durante o programa, Mário e Marcelo Kertész destacaram a perda de criatividade e identidade associada a esses novos padrões. 

“Todos vocês tinham apelido. Aliás, era normal em família ter apelido, né? Mas depois acabou e as pessoas ficaram com essa coisa horrorosa. Nardele é Ná. Silvânia é Sil. Rapaz, que coisa nojenta. Por exemplo… Sérgio… Qual era o apelido de Sérgio? Puxa-saco do papai. Não era assim? O Chico era gordo […]. Mariana era Ninha. Duda era Du. Mas por que acabou isso? Você acha legal esse negócio?”, questionou MK.

Na conversa, pai e filho associam a mudança a um processo cultural mais amplo, marcado pela padronização e pela perda de traços espontâneos da linguagem popular. MK critica o esvaziamento afetivo dos apelidos tradicionais, enquanto Marcelo Kertész relaciona o fenômeno à influência paulista, já perceptível em diferentes aspectos da fala cotidiana na Bahia.

“É a gourmetização dos apelidos. Também conhecida como a “São Paulização dos apelidos”. Porque lá em São Paulo que eu vi pela primeira vez, pelo menos, essa moda do apelido ser a primeira sílaba. E lá ainda tem uma coisa que nos círculos mais elitizados, pra poder você identificar de que família é, é a primeira sílaba e o sobrenome. Então é o ‘Ma Kertész’. É a ‘Na Gomes’. No nosso caso, inclusive, nós dois seríamos ‘Ma Kertész’”, disse Marcelo.

Ao ampliar a análise, Marcelo também aponta que a influência vai além dos apelidos e já atinge o sotaque e construções linguísticas antes incomuns na Bahia. Segundo ele, a incorporação de hábitos paulistas ocorre de forma gradual, refletindo trocas culturais que impactam a identidade local.

Confira o programa na íntegra: