A Policia Federal (PF) informou nesta segunda-feira (6) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a Polícia Militar do Rio de Janeiro ainda não enviou as imagens capturadas pelas câmeras corporais dos agentes envolvidos na Operação Contenção. Realizada nos complexos do Alemão e da Penha no fim de 2025, a ação policial se tornou a mais letal da história do estado ao deixar ao menos 117 mortos.
Moraes determinou, em março deste ano, que as polícias Militar e Civil enviem à PF as imagens da operação. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse, em ofício enviado ao ministro, que a corporação está realizando a perícia do material enviado pela Polícia Civil, mas as imagens da Polícia Militar ainda não foram recebidas.
“Não foi recebido qualquer acervo audiovisual relativo às equipes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) que atuaram na operação com efetivo significativamente maior e número substancialmente superior de dispositivos de gravação corporal”, afirmou o diretor-geral.
PF pede prorrogação de prazo
Andrei Rodrigues também solicitou mais prazo para analisar as imagens. Ele disse que a perícia do material da Polícia Civil levará pelo menos 90 dias. Serão analisadas cerca de 400 horas de gravações.
“Cumpre informar que equipe de 10 peritos criminais federais já se encontra mobilizada, trabalhando nos exames com caráter prioritário, no entanto, não se revela tecnicamente viável o cumprimento do prazo de 15 dias fixado na decisão, à luz das condições atualmente verificadas, sendo imprescindível a concessão do prazo técnico estimado em pelo menos 90 dias”, completou.
A apuração sobre a legalidade da operação ocorre no âmbito do processo conhecido como ADPF das Favelas – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635. Na ação, a Corte já determinou diversas medidas para redução da letalidade durante operações em comunidades do Rio de Janeiro.

