Mário e Marcelo Kertész discutem envelhecimento e a difícil arte de lidar com a solidão

Envelhecer também é aprender a lidar com a solidão. A reflexão foi feita por Mário Kertész e Marcelo Kertész durante o Conversas Inúteis sobre o que Ninguém Pediu desta sexta-feira (3), ao discutirem como o envelhecimento, as ausências e certas experiências da vida impõem a necessidade de saber conviver consigo mesmo.

“Aí eu só me lembrei de Gabriel Garcia Martins. Você viu falar alguma vez do nome desse rapaz? Ele era, se não me engano, colombiano. Ele dizia uma coisa que eu acho fantástica. ‘O segredo de uma boa velhice é você fazer um acordo decente com a solidão’. E eu não quis, inclusive, que ninguém… Eu tenho empregada que prepara as coisas, limpa a casa etc. Mas, de noite, eu fico sozinho, eu não quero que ninguém vá para lá dormir. ‘Ah, mas se acontecer alguma coisa?’. Aí aconteceu, né, filho? […] Você tem que ter consciência da solidão, porque o envelhecimento leva você, inevitavelmente, para a solidão. E você não adianta ficar se debatendo. É difícil, não é fácil, não”, disse MK.

Ao ampliar a conversa, pai e filho deslocaram o debate da velhice para a experiência concreta de isolamento. Marcelo relembrou o intercâmbio que fez aos 15 anos, numa pequena cidade de Michigan, nos Estados Unidos, onde viveu o período em que mais se sentiu só. Sem idioma, sem afinidade cultural, submetido a regras rígidas e distante da família numa época sem chamadas instantâneas, ele associou aquele período a um aprendizado duro, mas formador.

“Eu acho que esse intercâmbio me fez hoje viver melhor sozinho, a dois, porque a solidão, ela é meio melancólica e às vezes dolorida, mas é importante a gente também não ter medo demais não, entendeu? E poder encarar um pouquinho da tristeza também. Eu acho que hoje fica todo mundo numa busca tão desesperada por alegria, que não se dá nenhum direito de curtir uma tristeza, porque a tristeza também faz parte da vida e também é uma emoção”, concluiu Marcelo Kertész.

Confira o programa na íntegra: