A Advocacia-Geral da União (AGU) suspendeu o salário do procurador federal Virgílio Oliveira Filho, detido desde novembro de 2025 pela Polícia Federal (PF) em meio às investigações que apuram sobre fraudes bilionárias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O salário de Virgílio era de R$ 32.439,52, além de verbas indenizatórias de R$ 1.800,80 e R$ 19.743,23 de honorários advocatícios, somando cerca de R$ 53 mil mensais. O pagamento da remuneração do servidor, segundo a AGU, teve suspensão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmo dia da decisão de sua prisão preventiva.
“O entendimento dos órgãos internos da Advocacia-Geral da União foi no sentido de que a restrição da liberdade, com consequente ausência ao serviço, acarretaria suspensão dos subsídios recebidos pelo procurador federal”, aponta a Advocacia-Geral da União.
Investigações da PF apontam que o ex-procurador-geral teria ratificado um entendimento técnico que levou ao desbloqueio em lote de benefícios para descontos associativos a pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), uma das entidades envolvidas no caso. A apuração também aponta que Virgílio e sua esposa, Thaísa Hoffmann Jonasson, continuaram ocultando bens mesmo após o início das investigações da Operação Sem Desconto, que o levou à prisão.
O inquérito indica que os dois teriam atuado de forma coordenada para “neutralizar a eficácia das medidas judiciais”, adotando estratégias de ocultação patrimonial e frustração da persecução penal. O servidor foi afastado da instituição em abril do ano passado e chegou a ser ouvido pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS em outubro, um mês antes da prisão.

