A proposta de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas não tem relação direta com a segurança pública no país. A avaliação é do sociólogo e escritor Evandro Cruz Silva, durante participação no Jornal da Cidade desta segunda-feira (30).
Segundo ele, a medida não teria impacto concreto na sensação de segurança dos brasileiros. “Não existe nada que o governo americano possa fazer para aumentar a nossa segurança, e essa também não é a intenção. Trata-se de uma jogada geopolítica em um ano eleitoral”, afirmou.
Evandro argumenta que a discussão está mais ligada a interesses estratégicos internacionais do que ao combate ao crime. “O que está em jogo é quem vai ganhar a eleição no maior país da América do Sul e como isso pode influenciar os planos de expansão geopolítica dos Estados Unidos”, disse.
O sociólogo também criticou a condução da política externa americana, apontando falta de consistência nas ações. “O presidente americano tem algumas ideias, mas não um plano. Uma semana se propõe a equiparação de facções a organizações terroristas, na outra, joga uma bomba no Irã e se ocupa com a guerra”, avaliou.
Ele ainda afirmou que o debate tem sido apropriado politicamente no Brasil. “Como a direita brasileira não pode entrar na conversa sobre a guerra do Irã, ela aproveita a ideia que ela tem, que é tentar fingir que está preocupado com a nossa segurança, equiparando organizações criminais a organizações terroristas, que são coisas diferentes, concluiu.

