Em entrevista ao Metropole Mais nesta quarta-feira (25), a coordenadora do Laboratório de Tecnologias Informacionais e Inclusão Sociodigital da UFBA, Barbara Coelho, apresentou um novo observatório que irá mapear crimes de violência política de gênero na internet. A iniciativa nasce a partir de uma pesquisa iniciada em 2022, que monitora o uso de inteligência artificial na disseminação de ataques e desinformação nas redes.
“É fruto de uma pesquisa que eu estou desenvolvendo desde 2022, que é um mapeamento, inclusive utilizando ferramentas de inteligência artificial. Então ele utiliza inteligência artificial para mapear ataques feitos a partir principalmente de aplicações de inteligência artificial”, afirma Barbara. Segundo ela, além de pessoas físicas, há forte atuação de perfis automatizados: “Quando a gente soma bots do bem e bots do mal, ou seja, não-humanos, dá um volume maior hoje na internet do que de humanos habitando a internet”.
De acordo com a pesquisadora, o fenômeno se intensificou a partir das eleições de 2022, com o aumento do uso de conteúdos manipulados. “Nós começamos a perceber que tinha uma movimentação muito grande de disseminação de desinformação através de algoritmos de IA, com vídeos, imagens, sons, textos e áudios”, explica. Ela destaca ainda o uso de deepfakes: “É uma montagem feita com inteligência artificial que parece que foi a pessoa que fez, mas na verdade não é”.
O levantamento também aponta um recorte de gênero e raça nos ataques. “A maioria das mulheres afetadas são as mulheres de esquerda e principalmente as mulheres negras”, diz.
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