Fernando Guerreiro avalia resultado do Oscar e diz que “O Agente Secreto” é “ousado demais para Hollywood”

O desempenho do filme brasileiro O Agente Secreto na corrida do Oscar 2026 foi analisado pelo radialista, produtor, ator e diretor teatral Fernando Guerreiro durante participação no programa Jornal da Metropole no Ar, nesta segunda-feira (16). Ao comentar o resultado da premiação e a disputa com produções internacionais, ele avaliou que a proposta estética do longa brasileiro pode ter sido ousada demais para o perfil tradicional da Academia.

“Acho o ‘O Agente Secreto’ ousado demais para os padrões hollywoodianos. Eu acho que ele escorregou justamente por isso. Porque, por exemplo, o ‘Valor Sentimental’ é um grande filme, mas é um novelão. É um filme de família, não tem nada de excepcional. Então, eu acho que, realmente, ‘O Agente Secreto’ é um filme ousado, contemporâneo, e tem uma assinatura muito marcante do Nordeste, do diretor”, disse.

Na análise de Guerreiro, a linguagem autoral do diretor Kleber Mendonça Filho, responsável por obras como “Bacurau” e “O Som ao Redor”, imprime uma identidade forte e contemporânea ao projeto. Para ele, produções com narrativas mais familiares costumam dialogar melhor com o perfil dos votantes da Academia, o que ajuda a explicar o desempenho de títulos de estrutura mais tradicional na disputa.

“O filme do ano passado, Oscar de Waltinho, ‘Ainda estou aqui’, é um filme clássico, tradicional. A narrativa dele é uma narrativa tradicional. Com isso, eu não tiro o mérito do filme. De jeito nenhum. É um filme emocionante, muito bem feito, mas ele não tem uma assinatura como tem o filme de Kleber”, concluiu.

Confira a entrevista na íntegra: