O escritor e historiador João Cezar de Castro Rocha afirmou, nesta sexta-feira (6), em entrevista à Rádio Metropole, que a relação entre elites econômicas e o Estado ajuda a explicar parte da estrutura política e econômica do Brasil.
Durante a conversa, ele citou o livro “A Organização”, da jornalista Malu Gaspar, para analisar o momento atual do país. Segundo o historiador, o Estado passou a atuar como indutor do desenvolvimento econômico a partir do governo de Getúlio Vargas, o que consolidou um modelo em que setores empresariais se fortalecem pela proximidade com o poder público.
“As elites econômicas desde sempre, mas principalmente a partir da presença do Estado como indutor do desenvolvimento no governo Getúlio Vargas, até sobretudo FHC, quando o Estado é desidratado e privatizações se tornam a coqueluche do momento, é o Estado que induz o desenvolvimento, as elites enriquecem pela aproximação com o Estado. É o modelo do Banco Master: se torna gigantesco pela associação dos agentes corruptos do Estado.”
João Cezar também destacou que, desde a redemocratização, o eleitorado brasileiro tem demonstrado preferência por projetos democráticos. “Já tivemos 9 eleições presidenciais e, por 7 vezes, o povo brasileiro elegeu o campo democrático.”
Para ele, o país ainda não consolidou uma democracia que garanta plenamente direitos sociais previstos na Constituição. “Mas há uma democracia que nunca tivemos, e se caminharmos em direção a ela, a extrema-direita nunca mais ganhará nenhuma eleição neste país. Democracia em contracesso de direito, lazer, saúde, trabalho, moradia e educação garantidos na Constituição.”
Durante a entrevista, o historiador também citou o crítico literário Antonio Candido ao defender a importância do acesso à cultura e à literatura na formação cidadã. “Antonio Candido diz que tão importante quanto esses direitos, seria o direito à literatura. Se tivéssemos incorporado à Constituição, jamais Bolsonaro algum seria eleito.”
Confira a entrevista na íntegra:

