Tarifaço de Trump: como o Brasil será afetado pelas novas regras

As novas tarifas globais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entram em vigor às 00h01 (horário de Washington) desta terça-feira (24), com alíquota inicial de 10% sobre importações. A medida coloca o Brasil como o país mais beneficiado com a mudança no cenário tarifário internacional.

No sábado (21), o presidente anunciou que a alíquota subiria de 10% para 15%, dentro do limite previsto na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite a aplicação de tarifas por até 150 dias antes de avaliação pelo Congresso. As novas tarifas atingem todos os países que mantêm relações comerciais com os EUA, com exceções para determinados produtos, como minerais críticos, itens agrícolas e componentes eletrônicos.

A reconfiguração do tarifaço ocorre após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, na última sexta-feira (20), que anulou todas as tarifas aplicadas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A decisão derrubou as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado, e também a sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, formalizada em carta enviada por Trump ao presidente Lula em julho de 2025.

Brasil entre os mais beneficiados

Segundo a Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas de comércio internacional, Brasil e China são os países mais beneficiados pelas mudanças. Relatório da entidade aponta que o Brasil terá a maior redução nas tarifas médias, incluindo as já vigentes, com queda de 13,6 pontos percentuais. Na sequência aparecem China, com recuo de 7,1 pontos, e Índia, com diminuição de 5,6 pontos.

Com a nova configuração, aliados importantes dos EUA passam a enfrentar encargos mais elevados. O Reino Unido terá aumento médio de 2,1 pontos percentuais; a União Europeia, de 0,8 ponto; e o Japão, de 0,4 ponto, conforme dados da Global Trade Alert.

Reação do governo brasileiro

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também chefia o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, comemorou na sexta-feira a decisão da Suprema Corte. Para ele, a derrubada do tarifaço coloca o Brasil em condições de competitividade equivalentes às de seus concorrentes.

Neste domingo (22), após o anúncio do aumento da taxa global de 10% para 15%, Alckmin afirmou que a mudança não provoca perda de competitividade para as empresas brasileiras, já que a alíquota é aplicada de forma uniforme a todos os países.

O governo americano também manteve isentos produtos relevantes para a pauta exportadora brasileira, como carne bovina, tomates, laranjas, minerais críticos e de energia. Segundo o vice-presidente, em alguns setores a tarifa foi zerada. “Zerou para combustível, carne, café, celulose, suco de laranjas, aeronaves”, afirmou.

Antes da decisão da Suprema Corte, 22% das exportações brasileiras estavam sujeitas a uma sobretaxa de 40%, segundo explicou o ministro. De acordo com cálculo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC), a decisão do tribunal americano de derrubar o tarifaço afeta US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras aos Estados Unidos.

Cronologia do tarifaço:

Abril de 2025: aplicação de taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA;
Junho de 2025: elevação das taxas sobre aço e alumínio para 50%;
Julho de 2025: novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%, acompanhado de uma lista de exceções;
Novembro de 2025: após negociações com Lula (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de itens como café, carnes e frutas;
20 de fevereiro de 2026: a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas;
21 de fevereiro de 2026: Trump anunciou o aumento da taxa global para 15%.