A demolição dos dois casarões localizados na Rua do Barro Vermelho, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, foi concluída na manhã desta terça-feira (17). Vídeos registrados no local mostram tratores e escavadeiras avançando sobre as estruturas, removendo paredes, destroços e, em seguida, realizando a limpeza do terreno. As imagens também revelam a retirada de vegetação e o nivelamento da área, que agora aparece completamente vazia e preparada para o início das próximas etapas da obra.
Os imóveis, de números 274 e 292, ficavam na região da Praia do Buracão e tiveram a demolição autorizada pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur). A licença ambiental, válida por dois anos, foi concedida à BET BA 01 – Empreendimento Imobiliário Ltda. e publicada no Diário Oficial do Município. Além da autorização para derrubar as casas, a empresa já havia obtido alvará de construção em dezembro de 2025.
Com a conclusão da demolição, o terreno passa a estar formalmente liberado para a implantação do empreendimento imobiliário previsto para a área. O projeto prevê a construção de torres residenciais que podem chegar a cerca de 70 metros de altura entre a faixa de areia e o topo dos prédios.
SOS Buracão
A construtora responsável sustenta que todos os estudos técnicos foram aprovados pelos órgãos competentes e que o projeto cumpre as exigências ambientais estabelecidas pelo município. Entre as condicionantes impostas pela prefeitura estão a manutenção de diálogo com a comunidade, a proibição de qualquer restrição ao uso do mar e a realização de vistoria cautelar nos imóveis vizinhos e vias da região.
Já o presidente do movimento SOS Buracão, Miguel Sehbe, já havia criticado o avanço do projeto. Em entrevista à Rádio Metrópole, ele afirmou que a aprovação dos 17 andares previstos resultaria em um impacto visual significativo. “Se somarmos o que está no alvará, 17 andares dão 54 metros. A rua tem 16 metros. Isso significa cerca de 70 metros de altura para quem está com o pé na areia”, declarou. Para ilustrar, comparou a altura estimada ao Elevador Lacerda, que possui 72 metros.
Com o terreno já limpo e pronto para receber as fundações, o debate entre desenvolvimento imobiliário e preservação da orla volta ao centro das discussões urbanísticas da capital baiana.
Para Miguel Sehbe, presidente do SOS Buracão, “O que a gente assistiu hoje pela manhã foi um ato covarde”, desabafou. “Não tem como explicar querer levantar 17 andares na Praia do Buracão. Para quem olha de baixo, para quem está com o pé na areia, é a mesma coisa que ver um Elevador Lacerda pendurado na praia, dois Elevadores Lacerda pendurados na Praia do Buracão, e dizer que não vai haver sombreamento. Vai haver sombreamento, sim”.

