Um ano após desabamento, Igreja de São Francisco segue fechada em Salvador

Um ano depois do desabamento de parte do teto da Igreja de São Francisco de Assis, no Centro Histórico de Salvador, que matou uma turista paulista e feriu outras cinco pessoas, o templo continua fechado à visitação. De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a estrutura foi estabilizada e, após as intervenções emergenciais, não há indicação de risco iminente de novos desabamentos.

As obras tiveram início em março de 2025 e foram ampliadas ao longo do processo, à medida que novos danos vieram à tona durante as vistorias técnicas. Entre as medidas adotadas estão a retirada e catalogação dos fragmentos do forro que cederam, o escoramento de áreas comprometidas, o reforço da fixação do teto remanescente e o tratamento das peças artísticas que se desprenderam, com foco na futura reintegração ao conjunto original. A cobertura do prédio também passou por revisão completa, com a substituição de cerca de 90% das telhas cerâmicas e de parte do madeiramento leve, além da aplicação de produtos para proteção contra pragas e deterioração. O custo dessa etapa emergencial foi de R$ 2,4 milhões.

Superada a fase mais crítica, o complexo da Igreja e do Convento de São Francisco entra agora no radar do Novo PAC. Com recursos assegurados pelo programa federal, o Iphan prevê investir cerca de R$ 20 milhões na primeira etapa do restauro, que inclui a elaboração de projetos técnicos e a execução de obras na nave central da igreja e no claustro. A inclusão da intervenção no Programa de Aceleração do Crescimento foi formalizada por resolução do Comitê-Gestor, publicada no Diário Oficial da União.

O templo permanece interditado por razões de segurança. O Iphan ainda avalia quais recomendações serão encaminhadas à Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, entidade responsável pela administração do imóvel, após a conclusão das obras emergenciais.

Outras intervenções em Salvador

Após o desabamento, o Iphan e a Defesa Civil de Salvador (Codesal) intensificaram vistorias em templos históricos da capital. Levantamento da Codesal aponta que 12 igrejas foram interditadas total ou parcialmente por riscos estruturais, entre elas Boa Viagem, Ajuda, São Miguel, Perdões, São Bento, Ordem Terceira do Carmo, Nossa Senhora da Lapa, Sagrada Família, Aflitos e Santa Clara do Desterro. Deste conjunto, apenas três iniciaram processo de restauração: São Francisco, Boa Viagem e Sagrada Família do Garcia, segundo informações obtidas pelo Metro1 junto à Codesal.