Janio de Freitas aponta como aumento de salários na Câmara e expõe distorções na representação política

A aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto que reajusta salários e amplia benefícios para servidores da própria Casa reacendeu críticas sobre o uso de recursos públicos e a qualidade da representação política no país. Em análise no programa Três Pontos desta quarta-feira (4), o jornalista Janio de Freitas afirmou que a medida expõe distorções graves na condução do Legislativo e revela um momento de desgaste institucional.

“Não sei o que é que tem, não consigo imaginar o que é que tem na cabeça os dirigentes da Câmara, os autores desses projetos e os que os aprovam. É um aumento de custo à ordem inicial de R$ 5,3 bilhões. Isso à ordem inicial porque há um presente, uma doação, além do aumento dos salários, que chegam, em alguns casos, a um aumento de 100%, dobro do vencimento atual”, disse.

Na avaliação de Freitas, o projeto aprovado vai além do reajuste salarial e institui mecanismos que reduzem significativamente a exigência de presença no trabalho, sem perda de remuneração. O jornalista destacou que a chamada licença compensatória, da forma como foi formulada, cria uma falsa aparência de legalidade e acaba permitindo a ausência em metade dos dias úteis do mês, sem qualquer prejuízo financeiro aos beneficiados.

“A cada três dias de trabalho, o funcionário pode faltar um, sem perder a diária. Mas há um total de dez dias de ausência por mês. Isso é uma tapeação, uma maneira iludida como foi escrito, porque essas dez ausências representam cerca de 50% dos dias úteis […] Aprovar isso é submeter a Câmara a uma coisa vergonhosa, que revela um momento grave da representação política do país”, concluiu.

Confira o programa na íntegra: