O advogado Demóstenes Torres, que defende o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, criticou nesta terça-feira (2) a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, que tem sido central no julgamento do núcleo da trama golpista na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.
O defensor classificou o acordo como “injurídico” e pediu sua rescisão, argumentando que a manutenção da delação pode gerar problemas jurídicos ao STF. “Não estamos pedindo a nulidade da delação, mas sim sua rescisão”, reforçou.
Torres também afirmou que a Procuradoria-Geral da República violou o princípio da congruência ao apresentar novos elementos nas alegações finais do processo. Segundo ele, o procurador-geral Paulo Gonet trouxe fatos que não constavam da denúncia: a interpretação do desfile da Marinha na Praça dos Três Poderes, em agosto de 2021, como ato de apoio ao golpe, e a ausência de Garnier na cerimônia de passagem de comando das Forças Armadas, em 2022. “Não é possível que o réu se defenda de algo que não lhe foi imputado”, disse Torres.

